Fernando Pessoa é um escritor/poeta português nascido em Lisboa, Portugal no ano de 1888 e é considerado até hoje um dos maiores escritores da literatura nacional. Ao longo de sua caminhada, Pessoa deixou uma variedade riquíssima dos mais diversos poemas e heterônimos, entre eles Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaros de Campos. 
Esse post é para mostrar que, aqueles livros/matérias que somos obrigados a ler no ensino médio e para vestibulares pode ser muito mais do que uma obrigação ou uma nota boa. Se realmente pegarmos um dia para sentar e ler, podemos entrar na mente de Pessoa e entender realmente a complexidade do que ele pretende passar, e não como sendo apenas versos a serem interpretados e respondidos no esquema de poucas linhas boas e diretas nas provas, como achamos que é.
Para que isso seja mostrado, resolvi escolher um poema do autor que mais me tocou como leitora:
1) O Guardião de Rebanhos, de Alberto Caeiro

O que nós vemos da cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seriam iludir - nos 
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê, E nem pensar quando se vê
Nem vê quando se pensa 

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que poetas dizem que as estrelas são freiras eternas
E as flores penitentes convictas de um só dia,
Mas aonde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
- XXIV

Esse é com certeza o meu poema favorito de Pessoa. Como Alberto Caeiro, Fernando o descreve como um homem simples do campo, que a todo momento passa por diversas e importantes reflexões. Em "O guardião de Rebanhos" vemos a ideia de superioridade de sentir do que pensar. Mais que isso, como os sentidos nos fazem ser e como os mesmos podem nos iludir. 
Ele defende que é na realidade que vemos o sentido e o fenômeno das coisas, mas não a vemos por completo pois, ao encontro do pensamento, nossas pré - experiências acerca do objeto são botadas em prova, e por isso não conseguimos vê - las inteiramente, impedindo - nos de alcançarmos a total felicidade.
Portanto, a proposta de Caeiro é aprender a ver "sem estar a pensar", ou seja, desaprender a aceitar o mundo como algo já realizado, intacto, para assim estarmos em constante mudança e encontrar - mos a essência do que aquilo quer nos trazer para a vida.

Espero muito que tenham gostado dessa análise e que a mesma faça acender a vontade de ler um pouco de Pessoa e outros clássicos!

Postado por: Julia.





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