PARA ONDE VÃO OS SUICIDAS?

PARA ONDE VÃO OS SUICIDAS?
FELIPE SARAIÇA
188 PÁGINAS
PENDRAGON

Sinopse: Era dezembro quando Angelina nasceu. Uma noite gélida, de ventos fortes e relâmpagos que iluminavam todo o quarto do hospital. Quase que em silêncio, ela foi retirada do ventre de sua mãe que, também em silêncio, não mais respirava. A enfermeira, tão jovem e sonhadora, não sabia como lidar com vida e morte lado a lado. Seu pai, de modo mecânico e robótico, a balançava, não conseguindo contemplá-la. Seus olhos não mudaram de direção nem mesmo quando a menina iniciou seu pranto. Lá fora, a chuva caía forte, embaçando os vidros das janelas, e pintando todo o céu de cinza. Ele não chorava, apenas embalava lentamente sua filha, num ritmo quase que fúnebre, enquanto perguntava a si mesmo se seria egoísmo preferir que a criança tivesse perdido a vida e não sua noiva.


Antes de começar a resenha, devo dizer que: Já havia lido Palavras de Rua do autor anteriormente, então já sabia como ele tinha seu ritmo de escrita, quando vi o livro me apaixonei não só pelo título, como pela capa, e depois me afundei na história.

Angelina era para ser mais uma garota com sua vida feliz, e em busca de seus sonhos, mas ela não se sentia assim. Angelina sentia dor, medo, ansiedade, e não sabia mais seu rumo. Uma personagem intrigante e que te faz ver a vida de outras formas.

Quando iniciei a leitura, senti a angustia da nossa protagonista, eu senti meu coração se partir quando ela tomou suas decisões, e senti meu coração se reconstruir a cada vida que ela salvava.

Para Angelina conseguir "descansar em paz", ela tem que ajudar diversas almas que querem realizar o mesmo feito que ela, mas como você, que toma uma atitude pode ajudar alguém? Já que você fez, e não pode julgar alguém que queira fazer.

É assim que Angelina tem que agir, de forma pacata, e sempre respeitando as pessoas e suas decisões. 

O livro é um mergulho no desconhecido, você nunca sabe o que pode acontecer, e não é como se as coisas dependessem apenas da Angelina, elas não dependem, Angelina é apenas uma peça no jogo. 

Acredito que o autor fez esse livro na intenção de mostrar que o suicida não busca afetar outras pessoas, ele só busca sua paz, e dizer que alguém vai pagar pelas consequências disso, não faz você melhor, aliás, não julguem alguém que tentou suicidio, e também nunca digam que é frescura, você pode achar que lidaria bem com aquilo, mas as pessoas são diferentes, e cada um sente de uma forma. 

A única coisa que senti mais falta foi mais detalhes sobre a vida de Angelina, pois já conhecemos ela quando se encontra em seu limite, e eu gostaria de saber mais sobre sua família, sua rotina, seus medos..

Porém, foi uma leitura incrível, eu me apaixonei pelos personagens, principalmente pelo Otávio e pelo Eloáh, sendo que Eloáh me fez derramar muitas lagrimas, e eu me senti maravilhosa por ter conhecido a Heloise, e ela me fez ver que um amor pode ser eterno, mesmo após a vida.

Eu recomendo muito a leitura, e espero que todos que o leiam, mudem algo em suas vidas, mesmo que seja dar um bom dia para aquela pessoa que você sempre vê com o semblante fechado, dizer algumas palavras de amor para alguém da familia que é maltratado, não julgar as pessoas por suas decisões. Pensar antes de falar é a principal delas.

Aliás, a edição do livro está maravilhosa, como sempre, com ilustrações que remetem a história.



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3 comentários

  1. Amei a resenha, serio. Muito obrigado pelas palavras e por todo apoio. Fico feliz que a historia tenha te tocado de alguma maneira ��
    Ah, fique atenta que em breve tem novidades sobre Eloah ��

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